Sem categoria

CARTA PASTORAL AO CLERO DA ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

Quinta-feira Santa de 2019 – Missa Crismal

Queridos sacerdotes do meu presbitério,

Nesta Quinta-feira Santa, em que todos os padres renovam as promessas de obediência e reverência à Igreja, na pessoa do seu Bispo, feitas na sua ordenação presbiteral, gostaria, de minha parte, pelo afeto que tenho por todos, de recordar-lhes algumas observações que servirão para o bem espiritual e pastoral dos meus caríssimos sacerdotes. Faço-o de coração, com todo o meu afeto paternal, como Bispo e pai.

            Antes de tudo, queria exprimir os meus sinceros agradecimentos a todo o zelo sacerdotal dos meus caríssimos padres, que se desdobram, se dedicam às almas e não medem esforços no seu apostolado, na fidelidade à Igreja, concretizada na nossa Administração Apostólica. Agradeço de modo particular a amizade e o carinho de todos para com o seu Bispo.

            Quero lhes dizer que estou sempre aberto e à disposição dos meus caríssimos padres, pessoalmente ou por telefone ou WhatsApp. Podem ligar ou escrever a qualquer hora, como podem também marcar encontro pessoal comigo, sem problemas. Tenham abertura e não tenham medo do seu Bispo, que só lhes quer bem. Os conselhos que dou a seguir são dos santos e de sábios, mas eu os faço meus, como se estivesse dizendo confidencialmente a cada um dos meus padres.

            Diz Santo Tomás de Aquino que os padres seculares devem ser mais santos do que os monges, visto que não têm a proteção do convento e das regras, além de não terem os votos dos religiosos. Deles, portanto, segundo ele, é exigida mais santidade para poderem perseverar.

            DISCIPLINA, ORDEM NA VIDA E ORAÇÃO: “Qui regula vivit, Deo vivit” (S. Gregório). Temos que ter um regulamento de vida, o que exige de nós o espírito de mortificação. Muito sacerdote cai por falta de disciplina e regra de vida. Coisas essenciais: hora certa de dormir e acordar, meditação diária, o Terço, o Breviário, Leitura espiritual, além da Santa Missa bem celebrada, com calma, preparação e ação de graças. A pontualidade, a obediência aos horários, especialmente nos ofícios litúrgicos com o povo, exige de nós uma contínua mortificação. “Um padre de paróquia está em perigo de se perder, se não constrói uma solidão interior onde possa se refugiar e restaurar as suas forças, que perde, inevitavelmente, em contato com o mundo” (São Vicente de Paulo). “A meditação espana a poeira que o mundo deixa em nós” (Dom Antônio de Castro Mayer). “‘Foi a dedicação que me perdeu’, confessou, num retiro, um padre arruinado na sua vida sacerdotal” (Dom Chautard). Cuidado com as “maledictae occupationes”, como advertia São Bernardo ao Papa Eugênio III, ocupações do papado que poderiam prejudicar a sua alma. Além disso, o povo quer ver o padre rezar. Edifiquem o povo rezando diante dele suas orações pessoais. “Como prega bem Frei Exemplo! Não precisa alvoroçar o templo”.

            ISOLAMENTO: Um grande perigo para o padre é se isolar dos outros padres. E pior, se juntar com os leigos e se abrir com eles. Pior ainda, com as leigas. Procurem estar sempre com os padres, para se confessar regularmente, para conversar, se abrir, desabafar, se distrair, confraternizar. Amizade do padre deve ser com os padres. E a amizade sacerdotal é a melhor guarda do celibato. Outro aviso: quando tiver que sair de casa, digam sempre aonde vão. Pois em caso de necessidade, facilmente o poderiam encontrar. Nossa vida deve ser sempre patente e transparente, especialmente aos colegas padres.

            CARIDADE PARA COM OS COLEGAS: “Si propriis oculis vidissem sacerdotem Dei peccantem, chlamydem meam exspoliarem et cooperirem eum ne videretur” (Constantino). “Sine charitate sacerdos dici potest, esse non potest”. “É lamentável e triste ver-se o padre a criticar os colegas perante os seculares!” (Mons. Ascânio Brandão). “Um padre maledicente leva os que o escutam a serem maledicentes com ele” (M. Dubois) “Ai! do Bispo, ai! dos colegas, em certos ágapes eclesiásticos” (Mons. Ascânio Brandão).

            OBEDIÊNCIA E REVERÊNCIA AO BISPO E SEUS ENVIADOS: “Se vossos superiores quiserem vos mudar de paróquia, de boa vontade obedecei-lhes. Não deveis criar dificuldades para o vosso sucessor. Ao invés, preparai-lhe bem os caminhos”.

            “No púlpito e no santo tribunal, deixai de andar provocando a sensibilidade dos paroquianos, com as tristes novas da vossa partida, sempre muito anunciada. E não convém logo voltar à paróquia… para recolher lágrimas e suspiros. Já não há nos olhos tantas lágrimas por vossa causa. A fonte já secou… Muito menos deve procurar indagar dos fiéis o que faz ou diz o seu colega, ou meter-se na vida paroquial. É uma imprudência, é uma leviandade” …

            “Incorreção e perigosa leviandade seria provocar o sentimentalismo das devotas acompanhado de censuras amargas e referências atrevidas e desrespeitosas à autoridade eclesiástica que, por razões que não compete indagar, resolve a remoção do padre. O padre, que se queixa do Bispo aos fiéis porque o remove da paróquia, desrespeita gravemente a autoridade e escandaliza o povo, cria sérias dificuldades ao Bispo e ao padre, seu sucessor. Entre nós, dado o sentimentalismo exagerado e a ignorância religiosa de nosso povo, tal procedimento é de consequências gravíssimas, e produz verdadeiros cismas nas paróquias” (Diretório do Padre – Valuy e Ascânio Brandão).

            ESPÍRITO DE POBREZA: Que todos saibam que o padre é desapegado, desinteressado financeiramente e que dá esmolas, e abundantes, segundo as suas posses. Para isso o padre recebe a sua côngrua. E deve também, como todos, pagar o seu dízimo. Desapego com relação à paróquia onde se está. Fazer o rol dos bens que encontrou na paróquia e os que acrescentou. Exceto os objetos pessoais, é errado, feio e escandaloso um padre levar consigo as coisas da paróquia, quando é transferido. Se ele comprou durante a sua gestão e estão em uso da paróquia, deve deixa-los lá, pois o povo ajuda o padre com intenção de ajudar a paróquia, enquanto está a serviço dela. Mesmo que tenha direito de propriedade de algo em uso na paróquia, é muito mais edificante deixar lá. Sempre ele será mantido pela nova provisão ou pela Cúria. Além disso, é preciso confiar na Providência divina.

            Procurem seguir as diretrizes sobre assuntos econômicos dadas pela nossa Cúria. Especialmente quanto à prestação de contas dos bens e das atividades econômicas da paróquia. Sejam transparentes. Que se saiba o que a Paróquia tem e quanto deve. Saiba que esse dinheiro dado com sacrifício pelo nosso povo deve ser meticulosamente respeitado e dele prestadas as contas. Entre as diretrizes da nossa Cúria, lembramos que o pároco ou o administrador paroquial, ao término da provisão canônica, não deixe dívidas a pagar ao novo titular provisionado, donde a necessidade do funcionamento eficaz do Conselho Econômico Paroquial, cuja existência é obrigatória (cf. c. 537). Ademais, o pagamento das taxas à Cúria é obrigatório em consciência, para não configurar apropriação indébita.

        Entre as DIRETRIZES ADMINISTRATIVAS da nossa Administração Apostólica, por nós emitidas, de modo especial, recordo-lhes: “Artigo 83 – § 1. O Pároco no final de cada quinquênio deve apresentar ao Ordinário uma lista para Conselheiros do CAP (Conselho Administrativo Paroquial) … § 2. Por sua vez, o CAP fará um inventário completo dos bens móveis e imóveis para entregar ao Conselho seguinte, o qual, por sua vez, verificará o seu conteúdo no início do mandato…”. Esse inventário dos bens encontrados na Paróquia é obrigatório e deve ser apresentado à Cúria.

“Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4,1). E administradores dos bens da Igreja, que não nos pertencem, mas a nós foram confiados.

            CASTIDADE: Devido aos grandes escândalos e quedas de muitos dos nossos irmãos, a nossa cautela e precaução devem redobrar nesse ponto. Sabemos da nossa dignidade sacerdotal, mas “laetemur ad ascensum, timeamus ad lapsum!”

            Pelo celibato por amor do Reino do Céu, o coração do sacerdote é um coração sempre ferido e carente de carinho feminino. Se não for mortificado, não resistirá (Dom Henrique Soares).

            “Quando Jesus quis consolar a viúva de Naim, disse-lhe: Não chores: duas palavras, sem abraços e maiores consolos: quis nos prevenir contra o perigo de uma substituição, para com aquelas que consolamos ou retiramos da desordem” (Pe. Bento Valuy, S.J.).

         O cân. 277 § 2 determina que “os clérigos se comportem com a devida prudência com as pessoas, cuja familiaridade poderia colocar em perigo a obrigação de observar a castidade ou suscitar escândalo entre os fiéis”. Tal cânon, segundo Chiappetta, “admoesta expressamente o clérigo a agir com prudência nos contatos com as pessoas, evitando tudo quanto possa colocar em perigo sua virtude ou suscitar escândalo”.

          Como a observância do celibato e da continência está exposta a inúmeros perigos, o clérigo deve agir com prudência nos contatos com as pessoas, evitando tudo quanto possa pôr em perigo a virtude da castidade e seu dever de continência ou suscitar qualquer escândalo no Povo de Deus. O Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, no tocante à castidade e continência dos clérigos, explica que “como é lógico, o sacerdote deve abster-se de toda conduta ambígua e não esquecer o prioritário dever que tem de testemunhar o amor redentor de Cristo. Infelizmente, no que concerne a esta matéria, algumas situações que lamentavelmente aconteceram produziram um grande dano à Igreja e à sua credibilidade, embora tenham acontecido muito mais situações do gênero no mundo” (Congregação para os Clérigos, Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, n. 83).

        “De todas as relações inúteis, dizia São Vicente de Paulo, a mais perigosa é a com os confessores. Os bons confessores só veem os seus penitentes no confessionário. Desde que se familiarizam, perdem toda graça e o talento para a direção espiritual”. “Amor spiritualis generat affectuosum, affectuosus obsequiosum, obsequiosus familiarem, familiaris carnalem” (S. Agostinho).

           “Que cuidado deve ter o padre para conservar a virtude da pureza! ‘Não vos basta ser puro, dizia São Vicente de Paulo aos padres, é preciso fazer tudo que vos seja possível e proceder de tal maneira que ninguém tenha motivo para conceber a vosso respeito a mais leve suspeita do vício contrário’”. “Esta suspeita, ainda que mal fundada, será mais prejudicial ao vosso ministério do que todos os outros crimes que se vos venham a imputar. O padre que perdeu a confiança do povo e se tornou suspeito de impureza, ainda que faça milagres, diz M. Dubois, ninguém nele há de crer” (Mons. Ascânio Brandão – Diretório do Padre).

           Quanto aos coroinhas, pela prudência e cuidado que devemos sempre ter e devido a muitos casos de acusação de pedofilia contra os padres, especialmente hoje em dia, é necessária uma maior cautela e prudência, no trato e relacionamento com as crianças que nos ajudam na Igreja. Por isso, transcrevo as normas do Arcebispo de São Salvador, Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, que já comuniquei a todos e que depois transformaremos, adaptadas, em decreto de nossa Administração Apostólica:

  1. “Não é permitida a companhia de menores de idade, desacompanhados de seus responsáveis, no escritório, na casa paroquial, no carro ou em outros ambientes”.
  2. “Nas atividades organizadas por entidades religiosas, não é permitido oferecer alojamento a menores não acompanhados pelos responsáveis, especialmente à noite, em casas particulares e em outras residências”.
  3. “O atendimento a menores de idade seja feito em lugares adequados (cf. CDC cân. 964, § 2), que garantam segurança e visibilidade, ou em salas com portas de vidro”.

     Na Arquidiocese de Vitória, Dom Luiz Mancilha ordenou que só leigos católicos, especialmente casais, tomem conta dos coroinhas, não os padres.

       Em nossa Administração Apostólica, proibimos coroinhas dormir na casa paroquial.

            Com os meus cumprimentos a todos os meus caríssimos padres, pelo dia da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, aguardando a resposta de cada um, e com os meus desejos de frutuoso Tríduo Sacro e especialmente de uma Feliz e Santa Páscoa, dou a todos a minha bênção episcopal.

Vosso servo em Cristo e na Igreja

 

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar seu comentário

PALAVRA DO BISPO

Dom Romualdo

Bispo de Porto Nacional (TO)

Agenda Diocesana

outubro 2021

dom seg ter qua qui sex sáb
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

FACEBOOK

Assine a nossa newsletter

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!

Share This